16 de abril, 2002 - Publicado às 13h05 GMT
BBC Brasil
Descoberto na Europa 'formigueiro' de 6 mil km
Supercolônia passa por quatro países
Uma equipe de cientistas suíços, franceses e dinamarqueses anunciou a descoberta da maior colônia de formigas do mundo.
A supercolônia ocupa uma faixa de 6 mil quilômetros que começa no noroeste da Espanha, desce até Portugal, entra na Espanha novamente pelo sudoeste e se estende pelo litoral até o norte da Itália, passando também pela França.
Acredita-se que há bilhões de formigas vivendo ali, ocupando milhões de ninhos.
As formigas pertencem à espécie Linepithema humile, originária da Argentina e introduzida na Europa há cerca de 80 anos junto com plantas que foram importadas.
Cooperação
Os cientistas publicaram o estudo no jornal da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos e disseram que o "formigueiro" atingiu essa dimensão por causa do comportamento de seus "habitantes".
Normalmente, formigas de colônias rivais lutam entre si até a morte. Mas nesta supercolônia européia, os espécimes se reconhecem e trabalham em regime de cooperação – mesmo quando pertencem a ninhos distantes.
No entanto, o biólogo brasileiro Nícolas Lavor de Albuquerque, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, afirma que o fator comportamental não pode ser usado como única evidência de que se trata de uma mesma colônia.
"Há casos de formigas que reconhecem habitantes de outros ninhos ou até formigas de outras espécies", explicou Albuquerque à BBC Brasil. "O reconhecimento entre elas é feito pelo olfato e há formigas que conseguem copiar o cheiro de outras."
O biólogo ressaltou que, para comprovar que se trata realmente de uma supercolônia, é necessária uma investigação genética da comunidade.
"As formigas têm uma divisão muito clara de castas: há a casta das operárias, que são estéreis, e a casta das rainhas, que são reprodutoras", explicou. "Este ninho provavelmente tem muitas rainhas, mas é preciso verificar se essas rainhas e sua prole têm a mesma identidade genética, em uma ponta e na outra da colônia".
Segundo o biólogo brasileiro, a espécie argentina é do tipo urbano. "Ela costuma viver em frestas nas casas", disse.
Origem desconhecida
Os pesquisadores europeus, no entanto, não sabem ao certo como o "formigueiro gigante" se formou.
Eles acreditam que os primeiros espécimes a chegar à Europa formaram colônias muito próximas e densamente povoadas. Isso teria contribuído para o surgimento do comportamento cooperativo em vez do agressivo.
Na opinião dos cientistas, como não havia conflitos internos nessa população de formigas, elas tinham tempo e recursos para combater seus inimigos, afirmando assim sua superioridade.
"É interessante ver como a introdução de um novo habitat pode modificar uma organização social", disse Laurent Keller, da Universidade de Lausanne, na Suíça, e um dos pesquisadores que identificou o "formigueiro" gigante.
Mas Keller e seus colegas acreditam que a supercolônia de formigas pode estar ameaçada.
Segundo eles, podem surgir rivalidades quando grupos geneticamente diferentes se voltarem uns contra os outros.
Outras supercolônias
O "formigueiro gigante" tem ainda um outro rival em potencial – outra colônia de formigas argentinas, menor, que vive na região da Catalunha, na Espanha.
O Brasil também já apresentou casos de supercolônias, principalmente na região do cerrado.
"Ali já foram desenterrados ninhos de 1 quilômetro de extensão por cerca de 5 metros de profundidade", disse Albuquerque.
Esses ninhos eram habitados por formigas cortadeiras, mais conhecidas como saúvas.
um trabalho de formiga
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Formigas fazem bote salva-vidas na Amazonia
Extraído de um documentário esse vídeo incrível mostra formigas mudando-se utilizando o Rio Amazonas como canal para transporte. Impressionante o que faz o trabalho em conjunto, a leveza das bichinhas e a necessidade de sobrevivência em ambientes hostis. Pra quem acha que formiga não sabe "nadar"é uma ótima pedida.
Antworks
Antworks foi um experimento da NASA em 2003 para estudar o comportamnto de formigas no espaço. Trata-se de um gel translúcido que possui todos os nutrientes para alimentar e manter vivas as formigas postas ali, que podem cavar túneis neste mesmo gel. O "brinquedinho" já é vendido em diversos países e pode ser montado em conjunto com outros em módulos, expandindo sua colonia de formigas. O vídeo aí abaixo mostra em ritmo acelerado o trabalho das pequeninas cavando no gel.
Odontomachus
Tai sem dúvida uma das formigas mais interessantes que já vi na vida. Só assistindo ao vídeo para saber o que ela é capaz. Quero muito ver uma dessas de perto um dia desses.
Ok, não muito de perto...
Ok, não muito de perto...
Lavoisier na lagartixa
Pra provar que nem sempre o maior que come o menor... 24 horas de trabalho em alguns minutos. Impressionante.
Ants. Nature's Secret Power
Esse é um filme MUITO legal sobre formigas. Ok, pareço o maníaco das formigas, mas é sério. Trata-se de um filme de aproximadamente 1h onde entre outros cientistas um Doutor em biologia de Harvard discursa sobre formigas, seu universo, suas capacidades incríveis de realizar tarefas e muito mais. No final do documentário eles executam a ação do filme anexo abaixo e nos apresentam uma estrutura de um enorme formigueiro. Vale muito a pena.
sábado, 20 de junho de 2009
As Formigas
Intenciono também através deste blog apresentar minhas pesquisas sobre as formigas e permitir explorando o blog como veículo democrático e de fácil acesso, discussões sobre este inseto tão fascinante, que encanta a tantos e do qual comumente se sabe tão pouco. Vou postar vídeos e conteúdo sobre elas e convido à participação de todos os interessados.
A Coleção
Sou um colecionador... mas aprendi a conviver com isso de forma saudável. Como todo o bom colecionador sigo e preenchendo os pequenos espaços vazios em minhas prateleiras e em minha existencia com minhas coleções.
Minhas pequenas coleções são em sua maior parte formadas por repetições de um mesmo objeto com algumas sutis diferenças que me encanto em descobrir e outras não tão sutis que me facilitam a tarefa de sistematizar e catalogar. Através de padrões mutantes que oscilam como o destino imaginado para cada coleção, perfeitas fileiras identicas ou identificadas seguem monótonas preenchendo as pequenas caixas, criando pequenos segredos que ninguem mais entenderia, pequenas paixões doentias como descreve Benjamin:"Toda paixão confina com um caos, mas a do colecionador beira o das lembranças".
Sinto-me como colecionador uma espécie de integrante de alguma confraria de onde conheço apenas alguns poucos membros e destes poucos, tenho acesso a apenas alguns dos sintomas manifestados nas coleções abertas e divididas com os escolhidos e interessados.
Vários artistas fazem de suas coleções seus trabalhos, trazendo aos olhos do grande público suas pequenas obsessões num movimento de liberação do poder acumulado na coleção. Hoje me concentro em alguns de muitos artistas colecionadores e coletores, acumuladores de bugigangas e empilhadores de conteúdos. Me interesso pela fatura obsessiva e aquela atenção aos detalhes Esta é a melhor terapia.
Diversos artistas fazem com que me sinta perfeitamente normal.
Minhas pequenas coleções são em sua maior parte formadas por repetições de um mesmo objeto com algumas sutis diferenças que me encanto em descobrir e outras não tão sutis que me facilitam a tarefa de sistematizar e catalogar. Através de padrões mutantes que oscilam como o destino imaginado para cada coleção, perfeitas fileiras identicas ou identificadas seguem monótonas preenchendo as pequenas caixas, criando pequenos segredos que ninguem mais entenderia, pequenas paixões doentias como descreve Benjamin:"Toda paixão confina com um caos, mas a do colecionador beira o das lembranças".
Sinto-me como colecionador uma espécie de integrante de alguma confraria de onde conheço apenas alguns poucos membros e destes poucos, tenho acesso a apenas alguns dos sintomas manifestados nas coleções abertas e divididas com os escolhidos e interessados.
Vários artistas fazem de suas coleções seus trabalhos, trazendo aos olhos do grande público suas pequenas obsessões num movimento de liberação do poder acumulado na coleção. Hoje me concentro em alguns de muitos artistas colecionadores e coletores, acumuladores de bugigangas e empilhadores de conteúdos. Me interesso pela fatura obsessiva e aquela atenção aos detalhes Esta é a melhor terapia.
Diversos artistas fazem com que me sinta perfeitamente normal.
As Referências
Diversos artistas usaram formigas em seus trabalhos: William Kentridge em um vídeo mostra formigas em negativo ocupadas em constelações que mudam constantemente, Dali pintou, modelou e instalou diversas formigas, a formiga é um tema recorrente e bastante abordado.
Artistas que trabalharam com o recorte do vinil, como a Regina Silveira ajudam a pensar na marca através do uso da tecnologia, mas as reais referencias que me ajudaram a pensar no trabalho são as dos colecionadores. Jorge Macchi que em seus repetitivos gestos, atenção aos detalhes e seriação de inúmeros ítens é uma importante referência, assim como Tom Friedman, artista também com uma complexa fatura e coleção serial.
Artistas que trabalharam com o recorte do vinil, como a Regina Silveira ajudam a pensar na marca através do uso da tecnologia, mas as reais referencias que me ajudaram a pensar no trabalho são as dos colecionadores. Jorge Macchi que em seus repetitivos gestos, atenção aos detalhes e seriação de inúmeros ítens é uma importante referência, assim como Tom Friedman, artista também com uma complexa fatura e coleção serial.
O Processo
Ants fosse é um trabalho de formiga.
Um adesivo de vinil polimérico ultra-resistente é traçado com uma plotter Roland de recorte que numa velocidade de apenas alguns centímetros por minuto desenha o contorno da imagem previamente vetorizada e diagramada para um melhor encaixe. A resistência do material contribui na manutenção das características formais da imagem durante a limpeza (depilação) do adesivo excedente após o recorte. As pequenas pernas da figura são delicadas de serem extraídas em segurança e demandam tempo e esmero numa tarefa maquínica com um afiado bisturi. A instalação das mesmas acontece depois de cuidadosa escolha e estudo do local, pois mesmo sendo resistente a intempéries a fixação pode ser comprometida se o destino possuir sujeira, poeira ou gordura excessiva. Escolhido o local de onde elas surgem (normalmente uma fresta, canto ou buraco), a trilha segue pelo caminho que considero mais propício para um destino que, fazendo-me formiga, imagino.
Por mais resistente que pareça o trabalho eu o considero possuidor de um carater efêmero por poder ser facilmente removível, mas confesso gostar da intervenção e interesse das pessoas pelos pequenos insetos, e atendi a diversos pedidos com doações de pequenas instalações pessoais.
Um adesivo de vinil polimérico ultra-resistente é traçado com uma plotter Roland de recorte que numa velocidade de apenas alguns centímetros por minuto desenha o contorno da imagem previamente vetorizada e diagramada para um melhor encaixe. A resistência do material contribui na manutenção das características formais da imagem durante a limpeza (depilação) do adesivo excedente após o recorte. As pequenas pernas da figura são delicadas de serem extraídas em segurança e demandam tempo e esmero numa tarefa maquínica com um afiado bisturi. A instalação das mesmas acontece depois de cuidadosa escolha e estudo do local, pois mesmo sendo resistente a intempéries a fixação pode ser comprometida se o destino possuir sujeira, poeira ou gordura excessiva. Escolhido o local de onde elas surgem (normalmente uma fresta, canto ou buraco), a trilha segue pelo caminho que considero mais propício para um destino que, fazendo-me formiga, imagino.
Por mais resistente que pareça o trabalho eu o considero possuidor de um carater efêmero por poder ser facilmente removível, mas confesso gostar da intervenção e interesse das pessoas pelos pequenos insetos, e atendi a diversos pedidos com doações de pequenas instalações pessoais.
ants fosse
Ants fosse é um e são muitos. Pequenas unidades em forma de formiga se instalam onde lhes apetece, percorrem caminhos e trilhas transbordando dos orifícios para se espalhar por todos os lugares.
Como acontece com as incontroláveis formigas o trabalho escolhe o mundo como morada e suporte e espalha-se pelos corredores, portas, janelas, paredes, carros, corpos, plantas, monumentos, percorre cidades, praças, jardins, enfim... requer e toma o espaço do mundo fazendo-se arte de rua, intervenção no meio e instalações múltiplas.
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